Você já ouviu falar em Emanuel David Avelar Goulart? David Avelar para os mais próximos? Em 1995, ele gastaria dias e dias e noites e noites me explicando a internet, o que fazer, como conectar, onde ir, que ferramentas usar. Em 1995, David Avelar certamente era um dos pioneiros disso que vivemos hoje.
Lembro-me que o provedor era uma espécie de clube de amigos, entre “cientistas” da tecnologia em Nova Iguaçu. Além desse grupo, as conexões corriam também no Ibase. Para onde rumei depois. Mas David Avelar era o cara. Ninguém entendia aquele mundo novo como ele.
Num quarto quente e cheio de papel, ele mostrava as revistas, colecionava reportagens que apontavam aquele futuro. E, pasmem, foi ali que conheci uma revista cuja linha editorial era fornecer… endereços de URL para visitar!
Nunca perguntei a David Avelar o que ele fazia antes da internet no sentido “informática” de ser. Possivelmente, enquanto eu mostrava meu Tk 82C e depois o CP 200 pros amigos desinteressados, ele devia manter em casa um computador poderoso – e grande.
Um outro amigo, Gustavo Távora, conseguiu terminar o chatíssimo curso de “informática” que ensinava linguagem Basic. Eu fui a umas 4 aulas. Quando me avisaram que eu só estaria diante de um computador no terceiro mês, vazei para o flipper mais próximo à espera do amigo. As salas defronte à estação ferroviária que apontavam o curso de datilografia como “o futuro” estavam cerrando as portas. E ficavam ao lado do flipper, onde eu, um Tommy suburbano, dava meus shows.
A internet a mim apresentada por David Avelar e sentenciada por Simone Intrator, minha namorada na época, como “este é o futuro” ficou distante das minhas ambições futuras quando fui pinçado pelo “Globo”, naquele momento o “jornal”, o papel mais valioso do mundo.
Troquei sem pensar toda aquela novidade por montes de papéis de gráfica.
Fui, decerto, um visionário ao contrário.
David Avelar me diria que não, que eu trilhei o caminho certo. Eu tenho certeza de que não, David.
Hoje preciso recorrer ao Romulo Almeida em processos “SOS Computadores”.
Corri atrás, lógico. Nos últimos três anos, ao abraçar a causa de “me dedicar a ter uma vida melhor”, debrucei-me no negócio digital.
E devo isso, mesmo que tardiamente, a David Avelar.
