No dia em que o termo “jornalismo” foi trocado por “conteúdo”, o jornalismo deu adeus à sua existência. O maior resistente ao seu fim é o próprio jornalista. Ao admitir que o jornalismo como conhecíamos acabou e que hoje o conteúdo é o novo jornalismo, centenas de executivos perdem seus empregos. São eles, curiosamente, que defendem que o papel dura mais dez anos.
Não dura. O jornal de papel foi infiltrado por gente de “conteúdo”, não jornalistas, não apuradores, não checadores, não insistentes. Estamos diante de uma dicotomia. O papel tem gente do “conteúdo” que não sabe fazer jornalismo e o “conteúdo”, este digital, renomeado pela força do novo mercado, ignora o jornalismo. Quem formatar profissionais jornalistas-conteudistas terá, enfim, um produto.
No papel, as chances são mínimas.
Nos jornais, hoje, a cúpula pensa apenas em estender o máximo possível a duração de seus cargos, tentando convencer os acionistas de que não se deve jogar tanto dinheiro no digital, e que a manchete vale mais do que 2 milhões de retweets.
Uma farsa montada para se permanecer relevante. Há jornalistas que se mantêm no mesmo lugar por décadas, fingindo que liga para o jornal do patrão, enquanto, horas depois, está numa mesa de bar reclamando da vida, tomando cachaça ruim e pensando como seria bom se aposentar e viver em Visconde de Mauá.
Estamos na pior. O estagiário de jornalismo tem duas opções: ou cai dentro de uma nova empresa com uma boa ideia na cabeça (original, né, filho?) e muito investimento ($) ou vai ser explorado numa grande empresa.
Emprego depois de formado? Tem, mas com salário baixo.
Pensando assim, onde está o futuro do jornalismo?
No conteúdo.
E ele não roda na gráfica.
Entre secos e molhados e repórteres investigativos, salvam-se todos, explorados, claro, quase sempre.